O moodyne parte de uma ideia que vem de décadas de pesquisa sobre relações. Esta página mostra em que ela se apoia, e também mostra o que a pesquisa diz contra.
O que melhora uma relação não é você falar do que sente. É a outra pessoa conseguir responder ao que você sente. E ninguém responde ao que não enxerga.
Responder, aqui, quase nunca quer dizer socorrer. Na maior parte das vezes quer dizer acertar a hora: perceber que agora é um bom momento para chamar a pessoa, ou que aquele assunto rende muito mais amanhã.
Intimidade é um processo
Em 1988 Harry Reis e Phillip Shaver propuseram que proximidade não é uma qualidade que alguém tem, e sim um ciclo que acontece: eu mostro alguma coisa minha, você responde, e eu me sinto compreendido. Dez anos depois, Laurenceau, Feldman Barrett e Pietromonaco testaram isso pedindo que as pessoas anotassem cada interação social durante uma ou duas semanas.
Dois achados importam aqui. O primeiro é que mostrar como você se sente aproxima mais do que contar um fato. O segundo é que sentir que o outro respondeu bem, com compreensão e cuidado, explica a proximidade além do que as revelações sozinhas explicam.
É por isso que o moodyne não tenta substituir a conversa. Ele existe para que a resposta seja possível.
Laurenceau, Feldman Barrett e Pietromonaco, 1998. Journal of Personality and Social Psychology, 74(5), 1238 a 1251.Esconder tem um preço, e quem paga são os dois
Num experimento de 2003, duplas de pessoas que não se conheciam conversavam sobre um assunto difícil, e uma delas era instruída a segurar a expressão emocional. O resultado apareceu no corpo da outra: a conversa travou, a sensação de sintonia caiu, e a pressão arterial de quem estava do outro lado subiu.
Esse é o achado mais subestimado da lista. Dizer que está tudo bem quando não está não é neutro. A outra pessoa sente, mesmo sem saber o que está sentindo.
A pergunta então deixa de ser se vale a pena ser claro. Passa a ser se vale a pena continuar pagando por não ser.
Butler, Egloff, Wilhelm, Smith, Erickson e Gross, 2003. Emotion, 3(1), 48 a 67.O texto tirou o tom, e não devolveu nada no lugar
Quase toda a nossa conversa hoje passa por mensagem escrita. E mensagem escrita não carrega voz, não carrega rosto e não carrega o momento em que a pessoa está. Some justamente aquilo que a gente usava para calibrar.
O pior é que a gente não percebe que sumiu. Em 2005, Kruger e colegas pediram que pessoas escrevessem mensagens sérias e sarcásticas e apostassem se quem recebesse ia entender o tom. Os autores tinham quase certeza de que sim. Quem recebeu acertou pouco mais do que acertaria no chute.
O motivo é simples e meio constrangedor: enquanto a gente escreve, ouve a própria frase na cabeça com a entonação certa, e esquece que do outro lado ela chega muda.
É por isso que um "ok" ocupa uma tarde inteira na cabeça de alguém. Não porque a pessoa quis, mas porque o canal não tem como dizer o contrário. O moodyne devolve um pedacinho desse tom, por fora da conversa.
Kruger, Epley, Parker e Ng, 2005. Journal of Personality and Social Psychology, 89(6), 925 a 936.Boa parte do valor é não atrapalhar
Quando a gente não sabe o que está acontecendo com alguém, tende a explicar o comportamento dela pelo jeito de ser, e não pela situação. Uma resposta seca vira "ele está frio comigo" em vez de "ele dormiu cinco horas". Em psicologia isso é conhecido há décadas como erro fundamental de atribuição.
Dentro de uma relação isso tem consequência medida. Bradbury e Fincham revisaram em 1990 a literatura sobre atribuições no casamento e mostraram que as atribuições que mantêm o sofrimento, aquelas que colocam a culpa no caráter da pessoa, acompanham menor satisfação e antecipam a queda da qualidade da relação com o tempo.
Repare no que isso quer dizer. Saber que a outra pessoa está exausta não faz você ajudar mais. Faz você explicar o comportamento dela de outro jeito. E só isso já muda o rumo.
Bradbury e Fincham, 1990. Psychological Bulletin, 107(1), 3 a 33.Dar nome já ajuda, antes de qualquer pessoa ver
Colocar um nome no que você está sentindo reduz a resposta da amígdala e aciona a parte do cérebro ligada ao controle deliberado. E quem distingue melhor os próprios estados regula melhor as próprias emoções.
Isso quer dizer que o registro em si já vale alguma coisa, mesmo que ninguém do seu círculo veja.
Lieberman e colegas, 2007. Lisa Feldman Barrett e Todd Kashdan, sobre granularidade emocional.Contar o que está bom também conta
Compartilhar uma coisa boa com alguém que responde bem aumenta o bem-estar mais do que o próprio acontecimento aumentou. A pesquisa chama isso de capitalização.
Então isto não é um app sobre estar mal. É sobre ser visto, nos dois sentidos.
Gable e colegas, 2004.